Geopolítica & Diplomacia

Deus, voto e poder: o que acontece quando religião e política deixam de ter fronteiras?

por 14 de agosto de 2026Geopolítica & Diplomacia0 Comentários

Deus, voto e poder: o que acontece quando religião e política deixam de ter fronteiras?

O Brasil é constitucionalmente um Estado laico, mas religião nunca esteve fora da política. Nas últimas décadas, porém, o crescimento das igrejas evangélicas, a organização de bancadas religiosas e a aproximação de importantes lideranças cristãs com projetos políticos conservadores deram nova dimensão a essa relação. O problema democrático não começa quando uma pessoa religiosa entra na política. Começa quando fé, identidade nacional e poder de Estado passam a se confundir — e uma interpretação religiosa pretende tornar-se regra para toda a sociedade.

Estado laico não significa Estado contra a religião

Existe uma confusão frequente quando se discute laicidade.

Defender um Estado laico não significa defender uma sociedade sem religião.

Também não significa impedir padres, pastores, rabinos, ialorixás, imãs ou qualquer pessoa religiosa de se manifestarem politicamente.

Liberdade religiosa é justamente um dos direitos que a laicidade pretende proteger.

A Constituição brasileira estabelece no artigo 5º a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, garantindo o livre exercício dos cultos religiosos.

Ao mesmo tempo, o artigo 19 proíbe União, estados e municípios de estabelecer ou subvencionar igrejas, criar relações de dependência ou aliança com elas ou dificultar seu funcionamento.

Em outras palavras:

a Constituição protege a religião justamente porque impede que uma religião se transforme em religião do Estado.

Fonte: Constituição Federal de 1988
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

Essa separação tem uma história.

Durante o Império, o Brasil não era laico. O artigo 5º da Constituição de 1824 declarava:

“A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio.”

Outras religiões podiam existir, mas seus cultos enfrentavam limitações.

Fonte: Constituição Política do Império do Brasil, 1824
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm

A ruptura veio com a República.

O Decreto nº 119-A, de 7 de janeiro de 1890, proibiu a intervenção estatal em matéria religiosa, extinguiu o padroado e estabeleceu liberdade de culto.

Fonte: Decreto nº 119-A/1890
https://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/decreto/1851-1899/D119-A.htm

Portanto, a discussão contemporânea não é se religião tem direito a existir no espaço público.

A pergunta é outra:

uma maioria religiosa pode utilizar seu poder eleitoral para transformar sua interpretação da fé em obrigação para todos?

O Brasil mudou de religião — rapidamente

Poucas transformações sociais brasileiras das últimas décadas foram tão profundas quanto a mudança do mapa religioso.

O Censo 2022 mostrou que 56,7% dos brasileiros com 10 anos ou mais se declaravam católicos e 26,9% evangélicos.

Durante boa parte do século XX, mais de 90% da população brasileira se declarava católica.

O país continua tendo uma enorme população católica, mas aquela hegemonia religiosa praticamente desapareceu.

Fonte: IBGE — Censo 2022, religiões
https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/22703-censo-2022-numero-de-catolicos-no-brasil-em-queda.html

Essa transformação não aconteceu simplesmente porque milhões de brasileiros “se tornaram conservadores”.

Pesquisadores identificam vários fatores: urbanização, crescimento das periferias, ausência ou fragilidade de serviços públicos, redes comunitárias das igrejas, capacidade de adaptação dos cultos, rádio e televisão, assistência social, organização descentralizada e proximidade cotidiana entre pastores e fiéis.

Claudia Zilla, da Stiftung Wissenschaft und Politik, destaca justamente a presença das igrejas evangélicas em espaços onde instituições públicas muitas vezes são frágeis: periferias, comunidades pobres e prisões.

Em muitos desses lugares, uma igreja não oferece apenas culto.

Pode oferecer rede social, ajuda material, pertencimento, aconselhamento, apoio emocional e até acesso a pessoas capazes de resolver problemas cotidianos.

Isso ajuda a compreender por que a expansão evangélica é muito mais do que um fenômeno teológico.

Ela também altera a estrutura social e, inevitavelmente, a política.

Quando fiéis se tornam um eleitorado organizado

Uma coisa é uma população ser religiosa.

Outra é essa população ser organizada politicamente em torno de sua identidade religiosa.

Durante boa parte do século XX, muitos grupos evangélicos brasileiros mantinham certa distância da política institucional.

Isso mudou.

Igrejas perceberam que números podiam ser convertidos em votos; votos, em cadeiras parlamentares; cadeiras, em influência sobre legislação, orçamento público, comunicação e políticas educacionais.

A chamada bancada evangélica é expressão dessa transformação.

Ela não representa todos os evangélicos nem constitui um bloco completamente homogêneo. Existem diferenças denominacionais, ideológicas, partidárias e regionais importantes.

Mas sua existência mostra que a identidade religiosa passou a funcionar também como categoria de mobilização política.

O fenômeno produz uma mudança importante.

Um pastor deixa de ser apenas uma autoridade espiritual quando consegue orientar centenas, milhares ou milhões de eleitores.

E uma igreja deixa de ser apenas uma instituição religiosa quando consegue negociar apoio político, eleger representantes e interferir sistematicamente na elaboração de políticas públicas.

Isso é permitido em uma democracia.

A questão começa quando surge uma expectativa de que representantes eleitos devam governar não segundo direitos válidos para todos os cidadãos, mas segundo a doutrina religiosa de um grupo específico.

A Guerra Fria também passou pelas igrejas

Existe ainda uma dimensão histórica internacional que não deve ser ignorada, embora ela não explique sozinha a transformação religiosa brasileira.

Documentos desclassificados mostram que, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos tratavam movimentos religiosos latino-americanos como fenômenos politicamente relevantes.

Um relatório secreto produzido em 1986 pela Directorate of Intelligence da CIA, Liberation Theology: Religion, Reform, and Revolution, analisou a Teologia da Libertação, as Comunidades Eclesiais de Base e suas consequências políticas em países como Brasil, Nicarágua, Guatemala, El Salvador e Chile.

O próprio documento avaliava o movimento também segundo suas implicações para os interesses norte-americanos.

CIA — Liberation Theology: Religion, Reform, and Revolution
https://www.cia.gov/readingroom/docs/CIA-RDP97R00694R000600050001-9.pdf

A expansão de missões protestantes norte-americanas e sua relação com o anticomunismo também faz parte dessa história. Isso não significa que a transformação religiosa do Brasil possa ser reduzida a uma operação estrangeira.

Significa, porém, que religião também participou das disputas ideológicas da Guerra Fria.

Essa relação entre inteligência norte-americana, missões religiosas, Teologia da Libertação e transformação do campo religioso latino-americano merece uma investigação própria e será tratada separadamente.

Aqui importa principalmente observar o resultado brasileiro: diferentes interpretações do cristianismo passaram a disputar não apenas fiéis, mas também projetos de sociedade.

A disputa acontece dentro do próprio cristianismo

A relação entre religião e política não pode ser resumida a “cristãos contra esquerda”.

A própria história cristã demonstra isso.

A Teologia da Libertação colocou pobreza, desigualdade, exploração econômica e autoritarismo no centro da reflexão religiosa latino-americana.

No Brasil, Comunidades Eclesiais de Base mobilizaram milhões de pessoas.

Religiosos como Dom Hélder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns, Leonardo Boff e Frei Betto associaram diferentes vertentes do cristianismo a direitos humanos, justiça social e combate à pobreza.

Em outros contextos, Martin Luther King Jr., pastor batista, utilizou sua fé como fundamento da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos.

Desmond Tutu, arcebispo anglicano, foi uma das principais vozes contra o apartheid na África do Sul.

Igrejas negras foram fundamentais no movimento pelos direitos civis norte-americano.

Portanto, não existe uma consequência política inevitável da fé cristã.

Existe uma disputa sobre como interpretar essa fé.

Do anticomunismo ao bolsonarismo

No Brasil contemporâneo, entretanto, parte importante do evangelicalismo institucional aproximou-se da direita.

Jair Bolsonaro conseguiu construir uma relação particularmente forte com lideranças evangélicas conservadoras.

Seu próprio slogan eleitoral condensava religião, nacionalismo e política:

“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.”

Em 2018, estudos estimam que cerca de 70% dos eleitores evangélicos votaram em Bolsonaro, enquanto o apoio entre católicos foi consideravelmente menor.

Fonte acadêmica:

Ole Jakob Løland — The Political Conditions and Theological Foundations of the New Christian Right in Brazil
https://iberoamericana.se/en/articles/10.16993/iberoamericana.495

Em 2022, essa relação permaneceu.

Às vésperas do segundo turno, diferentes institutos de pesquisa registravam mais de 60% de apoio a Bolsonaro entre evangélicos.

Fonte:

Reuters — Bolsonaro shores up evangelical support in tight Brazil election
https://www.reuters.com/world/americas/bolsonaro-shores-up-evangelical-support-tight-brazil-election-2022-10-27/

Mas existe uma distinção indispensável:

evangélicos não são sinônimo de bolsonaristas.

Milhões votaram em Lula.

Existem pastores progressistas, comunidades evangélicas comprometidas com direitos humanos e movimentos como Evangélicos pelo Estado de Direito.

O evangelicalismo brasileiro é profundamente fragmentado.

Transformar aproximadamente um quarto da população brasileira em um único bloco ideológico seria intelectualmente errado e politicamente perigoso.

Por que parte do evangelicalismo se aproximou da direita?

Não existe uma única explicação.

Uma delas é moral.

Aborto, sexualidade, direitos LGBTQIA+, educação sexual e modelos familiares tornaram-se elementos centrais da mobilização conservadora.

Outra é institucional.

Igrejas descobriram que votos podem ser transformados em representação parlamentar, influência regulatória e acesso a meios de comunicação.

Existe também uma dimensão econômica.

Determinadas correntes neopentecostais incorporaram elementos da chamada Teologia da Prosperidade, que associa fé, sucesso individual e prosperidade material.

Há ainda a tradição anticomunista, presente em diferentes setores cristãos desde a Guerra Fria.

E existe uma transformação importante na própria compreensão da participação política.

Algumas correntes passaram da ideia de que cristãos deveriam afastar-se da política para a convicção de que precisam ocupar suas instituições e influenciar diretamente as leis da sociedade.

É nesse ponto que a questão deixa de ser simplesmente eleitoral e passa a envolver a própria concepção de Estado.

Mas existe uma política necessariamente “cristã”?

Aqui surge uma contradição interessante.

A direita cristã contemporânea enfatiza especialmente temas como:

  • aborto;
  • sexualidade;
  • casamento;
  • autoridade familiar;
  • ordem;
  • propriedade;
  • anticomunismo.

Mas os textos cristãos também dedicam enorme atenção a:

  • pobreza;
  • riqueza;
  • estrangeiros;
  • desigualdade;
  • dívida;
  • cuidado com os vulneráveis;
  • condenação da exploração;
  • acolhimento;
  • misericórdia.

No Evangelho de Mateus, Jesus afirma:

“Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me acolhestes.”

Mateus 25:35

No Evangelho de Lucas:

“Vendei os vossos bens e dai esmola.”

Lucas 12:33

Nos Atos dos Apóstolos, uma das primeiras comunidades cristãs é descrita assim:

“Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum.”

Atos 2:44

Existem, ao mesmo tempo, textos bíblicos utilizados para sustentar posições tradicionais sobre família, sexualidade, autoridade e comportamento moral.

A Bíblia, portanto, não cabe confortavelmente no eixo esquerda-direita, que surgiu muitos séculos depois.

Dizer que “Jesus era socialista” seria historicamente anacrônico.

Mas afirmar que o cristianismo conduz naturalmente ao neoliberalismo, ao nacionalismo de direita ou ao individualismo econômico é igualmente difícil de sustentar.

O paradoxo dos “valores cristãos”

Parte da direita cristã contemporânea é simultaneamente:

moralmente conservadora e economicamente liberal.

Defende família e caridade, mas pode apoiar redução de políticas sociais.

Defende proteção da vida antes do nascimento, mas pode apoiar políticas de segurança extremamente violentas.

Defende a família, mas pode rejeitar programas públicos destinados a famílias pobres.

Defende valores cristãos, mas setores ligados ao nacionalismo religioso podem adotar discursos hostis contra migrantes e refugiados.

Não cabe a um Estado democrático decidir quais dessas interpretações são o “verdadeiro cristianismo”.

Mas é legítimo observar que aquilo que aparece na política como “valores cristãos” frequentemente representa uma seleção de determinados valores dentro de uma tradição religiosa muito mais ampla e contraditória.

Quando religião vira identidade nacional

O fenômeno não é exclusivamente brasileiro.

Em diferentes partes do mundo, religião e nacionalismo voltaram a se aproximar.

Na Índia, o crescimento do Hindutva fortaleceu uma concepção de identidade nacional profundamente relacionada ao hinduísmo.

Na Rússia, a Igreja Ortodoxa tornou-se importante parceira simbólica do nacionalismo promovido pelo Estado.

Em Israel, a relação entre identidade judaica, nacionalidade, religião e Estado produz debates jurídicos e políticos permanentes.

No Irã, instituições religiosas exercem poder constitucional direto dentro da República Islâmica.

Nos Estados Unidos, embora não exista religião oficial, o chamado Christian Nationalism tornou-se uma corrente importante da política conservadora.

O Pew Research Center identificou diferentes graus de nacionalismo religioso em dezenas de países.

Fonte:

Pew Research Center — Religious Nationalism Around the World
https://www.pewresearch.org/global/2025/01/28/comparing-levels-of-religious-nationalism-around-the-world/

Esses sistemas são muito diferentes entre si e não devem ser tratados como equivalentes.

O que eles demonstram é outra coisa:

quando identidade religiosa e pertencimento nacional começam a se fundir, minorias religiosas e pessoas sem religião podem deixar de ser vistas apenas como cidadãos diferentes e passar a ser percebidas como menos pertencentes à própria nação.

O problema não é ter fé. É criar cidadãos de primeira e segunda classe

Essa talvez seja a distinção mais importante.

Uma democracia pode ter políticos profundamente religiosos.

Eles têm direito de orientar suas decisões por valores morais e religiosos.

Movimentos religiosos participaram de algumas das grandes lutas por direitos humanos da história.

O problema surge quando um projeto político afirma, explícita ou implicitamente:

“Nossa religião define quem pertence verdadeiramente à nação.”

Nesse momento, quem segue outra religião — ou nenhuma — deixa de ser simplesmente alguém com outra convicção.

Pode passar a ser tratado como ameaça moral, cultural ou política.

E democracias se tornam vulneráveis quando eleições deixam de ser disputas sobre políticas públicas e passam a ser apresentadas como guerras entre Deus e seus inimigos.

Discordar de um adversário político é uma coisa.

Acreditar que ele representa o mal absoluto é outra.

No primeiro caso, compromisso e alternância de poder são possíveis.

No segundo, derrotar o adversário pode começar a parecer uma missão religiosa.

O verdadeiro debate é sobre poder

Perguntar se religião deve entrar na política talvez seja a pergunta errada.

Ela sempre entrou.

A escravidão foi defendida e combatida com argumentos religiosos.

Ditaduras tiveram religiosos entre seus apoiadores e entre seus opositores.

Movimentos conservadores usam religião.

Movimentos progressistas também possuem tradições religiosas.

A questão democrática começa em outro lugar:

quanto poder uma instituição religiosa pode exercer sobre um Estado que pertence também a quem não compartilha daquela fé?

O problema surge quando uma religião conquista acesso privilegiado ao Estado e apresenta sua doutrina particular como vontade universal da sociedade.

A laicidade não existe para proteger ateus dos religiosos.

Existe para proteger todos de todos.

Protege evangélicos se um governo católico tentar impor sua doutrina.

Protege católicos se evangélicos se tornarem maioria.

Protege muçulmanos, judeus, religiões de matriz africana, espiritualidades indígenas e outras crenças minoritárias.

E protege também quem não acredita em Deus.

Em um Brasil cada vez mais religiosamente plural, o Estado laico não é inimigo da fé.

É justamente a garantia de que nenhuma fé precisará pedir autorização a outra para existir.

Talvez essa seja a diferença fundamental entre religião e poder estatal:

a fé pode convencer. O Estado pode obrigar.

Quando os dois deixam de ter fronteiras, liberdade religiosa pode deixar de funcionar como direito de todos — e transformar-se em poder de alguns sobre os demais.

Fontes e referências

Constituição Federal do Brasil de 1988 — artigos 5º e 19
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

Constituição Política do Império do Brasil de 1824
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm

Decreto nº 119-A, de 7 de janeiro de 1890 — separação entre Estado e religião
https://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/decreto/1851-1899/D119-A.htm

IBGE — Censo 2022: religião no Brasil
https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/22703-censo-2022-numero-de-catolicos-no-brasil-em-queda.html

CIA — Directorate of Intelligence — Liberation Theology: Religion, Reform, and Revolution
https://www.cia.gov/readingroom/docs/CIA-RDP97R00694R000600050001-9.pdf

Claudia Zilla — Evangelicals and Politics in Brazil, Stiftung Wissenschaft und Politik
https://www.swp-berlin.org/10.18449/2020RP01/

Ole Jakob Løland — The Political Conditions and Theological Foundations of the New Christian Right in Brazil
https://iberoamericana.se/en/articles/10.16993/iberoamericana.495

Reuters — Bolsonaro shores up evangelical support in tight Brazil election, 27 de outubro de 2022
https://www.reuters.com/world/americas/bolsonaro-shores-up-evangelical-support-tight-brazil-election-2022-10-27/

Harvard ReVista — Evangelicals in Latin American Politics
https://revista.drclas.harvard.edu/evangelicals-in-latin-american-politics/

Pew Research Center — Religious Nationalism Around the World
https://www.pewresearch.org/global/2025/01/28/comparing-levels-of-religious-nationalism-around-the-world/

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