{"id":84,"date":"2026-02-10T19:40:09","date_gmt":"2026-02-10T22:40:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/?p=84"},"modified":"2026-04-05T11:29:38","modified_gmt":"2026-04-05T14:29:38","slug":"neoimperialismo-no-seculo-xxi-novas-formas-de-dominacao-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/desenvolvimento-global\/neoimperialismo-no-seculo-xxi-novas-formas-de-dominacao-global\/","title":{"rendered":"Neoimperialismo no s\u00e9culo XXI: novas formas de domina\u00e7\u00e3o global"},"content":{"rendered":"\r\n<h3 data-section-id=\"vcammy\" data-start=\"308\" data-end=\"406\"><span role=\"text\"><em data-start=\"312\" data-end=\"406\">Entre mercados, guerra e recursos naturais, o poder global se reinventa \u2014 mas n\u00e3o desaparece<\/em><\/span><\/h3>\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\" data-start=\"408\" data-end=\"699\">O imperialismo n\u00e3o acabou \u2014 ele se transformou. No s\u00e9culo XXI, a domina\u00e7\u00e3o global raramente ocorre por ocupa\u00e7\u00e3o formal de territ\u00f3rios, mas continua presente por meio de mecanismos mais complexos: coer\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, controle de recursos, interven\u00e7\u00e3o militar seletiva e influ\u00eancia tecnol\u00f3gica.<\/p>\r\n<p data-start=\"701\" data-end=\"937\">Esse fen\u00f4meno, frequentemente descrito como neoimperialismo, revela a continuidade de estruturas de poder entre pa\u00edses centrais e perif\u00e9ricos. A diferen\u00e7a \u00e9 que, hoje, essas rela\u00e7\u00f5es operam de forma menos vis\u00edvel \u2014 mas n\u00e3o menos eficaz.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"bcbvte\" data-start=\"944\" data-end=\"1012\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"947\" data-end=\"1012\">Recursos naturais e interven\u00e7\u00e3o: o retorno da l\u00f3gica imperial<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"1014\" data-end=\"1161\">Um dos elementos mais evidentes do neoimperialismo contempor\u00e2neo \u00e9 a disputa por recursos estrat\u00e9gicos, especialmente petr\u00f3leo, minerais e energia.<\/p>\r\n<p data-start=\"1163\" data-end=\"1441\">A pol\u00edtica externa dos Estados Unidos sob <span class=\"hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline\"><span class=\"whitespace-normal\">Donald Trump<\/span><\/span> tem sido frequentemente citada como exemplo dessa l\u00f3gica. Em 2026, especialistas passaram a descrever suas a\u00e7\u00f5es como uma forma de \u201cimperialismo de recursos\u201d, com foco direto em controle energ\u00e9tico.<\/p>\r\n<p data-start=\"1443\" data-end=\"1814\">Um caso emblem\u00e1tico \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o na Venezuela. Em janeiro de 2026, for\u00e7as americanas capturaram o presidente Nicol\u00e1s Maduro e assumiram controle sobre setores estrat\u00e9gicos do petr\u00f3leo venezuelano \u2014 uma das maiores reservas do mundo. A a\u00e7\u00e3o foi amplamente criticada por juristas e governos como viola\u00e7\u00e3o do direito internacional.<\/p>\r\n<p data-start=\"1816\" data-end=\"2036\">Al\u00e9m disso, declara\u00e7\u00f5es de Trump sobre \u201ctomar o petr\u00f3leo\u201d de pa\u00edses como Ir\u00e3 e Venezuela refor\u00e7am uma vis\u00e3o direta de poder baseada no controle de recursos.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p data-start=\"1816\" data-end=\"2036\">Especialistas como Patrick Bigger descrevem essa l\u00f3gica como:<\/p>\r\n<p data-start=\"2039\" data-end=\"2148\">\u201cuma vis\u00e3o de que os Estados Unidos t\u00eam direito aos recursos globais\u201d<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p data-start=\"2150\" data-end=\"2260\">Essa abordagem retoma pr\u00e1ticas hist\u00f3ricas do imperialismo cl\u00e1ssico, agora adaptadas ao contexto contempor\u00e2neo.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"18i3rf3\" data-start=\"2267\" data-end=\"2317\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"2270\" data-end=\"2317\">Ir\u00e3 e Oriente M\u00e9dio: continuidade hist\u00f3rica<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"2319\" data-end=\"2401\">A atua\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos no Oriente M\u00e9dio tamb\u00e9m reflete padr\u00f5es neoimperiais.<\/p>\r\n<p data-start=\"2403\" data-end=\"2636\">Ataques recentes contra o Ir\u00e3, realizados em parceria com Israel, foram descritos por analistas como parte de uma estrat\u00e9gia de longo prazo para garantir influ\u00eancia em regi\u00f5es ricas em energia.<\/p>\r\n<p data-start=\"2638\" data-end=\"2827\">Especialistas argumentam que essas interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser explicadas apenas por fatores de seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m por interesses estrat\u00e9gicos relacionados a petr\u00f3leo e controle regional.<\/p>\r\n<p data-start=\"2829\" data-end=\"2974\">Esse padr\u00e3o remete diretamente \u00e0 invas\u00e3o do Iraque em 2003 \u2014 frequentemente citada como exemplo cl\u00e1ssico de guerra associada a recursos naturais.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"3i6txb\" data-start=\"2981\" data-end=\"3041\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"2984\" data-end=\"3041\">Palestina: colonialismo de assentamento no s\u00e9culo XXI<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"3043\" data-end=\"3149\">O caso da Palestina \u00e9 frequentemente descrito por acad\u00eamicos como uma forma contempor\u00e2nea de colonialismo.<\/p>\r\n<p data-start=\"3151\" data-end=\"3333\">Diversos especialistas utilizam o conceito de \u201ccolonialismo de assentamento\u201d para descrever a expans\u00e3o territorial israelense em territ\u00f3rios palestinos, especialmente na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\r\n<p data-start=\"3335\" data-end=\"3427\">Embora o termo seja politicamente sens\u00edvel, ele aparece em an\u00e1lises acad\u00eamicas para indicar:<\/p>\r\n<ul data-start=\"3429\" data-end=\"3533\">\r\n<li data-section-id=\"1gfu46q\" data-start=\"3429\" data-end=\"3465\">controle territorial progressivo<\/li>\r\n<li data-section-id=\"1ty5844\" data-start=\"3466\" data-end=\"3496\">deslocamento de popula\u00e7\u00f5es<\/li>\r\n<li data-section-id=\"8y9mdp\" data-start=\"3497\" data-end=\"3533\">assimetria jur\u00eddica entre grupos<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<p data-start=\"3535\" data-end=\"3645\">Nesse contexto, o conflito n\u00e3o \u00e9 apenas militar, mas estrutural \u2014 envolvendo soberania, territ\u00f3rio e direitos.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1azctef\" data-start=\"3652\" data-end=\"3700\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"3655\" data-end=\"3700\">Groenl\u00e2ndia: o imperialismo sem disfarces<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"3702\" data-end=\"3846\">Um dos epis\u00f3dios mais reveladores da nova l\u00f3gica imperial ocorreu com a tentativa dos Estados Unidos de adquirir \u2014 ou at\u00e9 tomar \u2014 a Groenl\u00e2ndia.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p data-start=\"3848\" data-end=\"4038\">Trump afirmou que o territ\u00f3rio, atualmente ligado \u00e0 Dinamarca, poderia ser obtido \u201cde uma forma ou de outra\u201d, incluindo possibilidade de uso de for\u00e7a.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p data-start=\"4040\" data-end=\"4224\">Autoridades americanas chegaram a discutir planos militares e questionaram o direito da Dinamarca sobre a ilha, destacando seu valor estrat\u00e9gico e recursos naturais, como terras raras.<\/p>\r\n<p data-start=\"4226\" data-end=\"4450\">Especialistas interpretaram essa postura como uma ruptura com o discurso tradicional de defesa da soberania internacional, aproximando-se de pr\u00e1ticas cl\u00e1ssicas de expans\u00e3o territorial.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"4kepiz\" data-start=\"4457\" data-end=\"4513\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"4460\" data-end=\"4513\">Am\u00e9rica Latina: a continuidade da Doutrina Monroe<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"4515\" data-end=\"4602\">A Am\u00e9rica Latina continua sendo um espa\u00e7o central de influ\u00eancia para os Estados Unidos.<\/p>\r\n<p data-start=\"4604\" data-end=\"4784\">A chamada Doutrina Monroe \u2014 historicamente usada para justificar interven\u00e7\u00e3o no hemisf\u00e9rio \u2014 foi reinterpretada na pol\u00edtica externa recente, refor\u00e7ando a ideia de dom\u00ednio regional.<\/p>\r\n<p data-start=\"4786\" data-end=\"4947\">Interven\u00e7\u00f5es na Venezuela, press\u00f5es sobre Cuba e amea\u00e7as a outros pa\u00edses demonstram que a regi\u00e3o permanece estrat\u00e9gica, especialmente por seus recursos naturais.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p data-start=\"4949\" data-end=\"5008\">Segundo o analista <span class=\"hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline\"><span class=\"whitespace-normal\">Charles Kupchan<\/span><\/span>,<\/p>\r\n<p data-start=\"5011\" data-end=\"5139\">\u201cas pol\u00edticas dos EUA hoje se aproximam mais do neoimperialismo do que do isolacionismo\u201d<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<h2 data-section-id=\"xaq3s2\" data-start=\"5146\" data-end=\"5191\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"5149\" data-end=\"5191\">\u00c1frica: o novo campo de disputa global<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"5193\" data-end=\"5278\">Na \u00c1frica, o neoimperialismo assume formas mais indiretas, mas igualmente relevantes.<\/p>\r\n<p data-start=\"5280\" data-end=\"5352\">Pot\u00eancias como Estados Unidos, China e Uni\u00e3o Europeia disputam acesso a:<\/p>\r\n<ul data-start=\"5354\" data-end=\"5441\">\r\n<li data-section-id=\"ytl91x\" data-start=\"5354\" data-end=\"5396\">minerais estrat\u00e9gicos (cobalto, l\u00edtio)<\/li>\r\n<li data-section-id=\"shsk3k\" data-start=\"5397\" data-end=\"5417\">terras agr\u00edcolas<\/li>\r\n<li data-section-id=\"1j5axbt\" data-start=\"5418\" data-end=\"5441\">mercados emergentes<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<p data-start=\"5443\" data-end=\"5531\">A competi\u00e7\u00e3o por esses recursos est\u00e1 ligada \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e \u00e0 economia digital.<\/p>\r\n<p data-start=\"5533\" data-end=\"5702\">Embora muitas dessas parcerias sejam apresentadas como coopera\u00e7\u00e3o, especialistas alertam para riscos de depend\u00eancia econ\u00f4mica e controle externo de setores estrat\u00e9gicos.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1wpuql9\" data-start=\"5709\" data-end=\"5743\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"5712\" data-end=\"5743\">San\u00e7\u00f5es e coer\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"5745\" data-end=\"5837\">Al\u00e9m da for\u00e7a militar, o neoimperialismo tamb\u00e9m se manifesta por meio de san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\r\n<p data-start=\"5839\" data-end=\"5941\">Estados Unidos e aliados utilizam san\u00e7\u00f5es para pressionar governos considerados advers\u00e1rios, afetando:<\/p>\r\n<ul data-start=\"5943\" data-end=\"6013\">\r\n<li data-section-id=\"fpv289\" data-start=\"5943\" data-end=\"5966\">economias nacionais<\/li>\r\n<li data-section-id=\"alvyzl\" data-start=\"5967\" data-end=\"5988\">acesso a mercados<\/li>\r\n<li data-section-id=\"627zb4\" data-start=\"5989\" data-end=\"6013\">sistemas financeiros<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<p data-start=\"6015\" data-end=\"6164\">Embora apresentadas como instrumentos diplom\u00e1ticos, essas medidas podem ter impactos severos sobre popula\u00e7\u00f5es civis e limitar a soberania de Estados.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"11cc0zc\" data-start=\"6171\" data-end=\"6211\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"6174\" data-end=\"6211\">Tecnologia e colonialismo digital<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"6213\" data-end=\"6271\">No s\u00e9culo XXI, a domina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre no campo digital.<\/p>\r\n<p data-start=\"6273\" data-end=\"6419\">Grandes empresas de tecnologia \u2014 majoritariamente baseadas no Norte Global \u2014 controlam infraestrutura digital, dados e plataformas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p data-start=\"6421\" data-end=\"6493\">Isso cria uma nova forma de depend\u00eancia: o chamado colonialismo digital.<\/p>\r\n<p data-start=\"6495\" data-end=\"6608\">Pa\u00edses do Sul Global frequentemente dependem dessas tecnologias, limitando sua autonomia tecnol\u00f3gica e econ\u00f4mica.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1lnq5ie\" data-start=\"6615\" data-end=\"6650\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"6618\" data-end=\"6650\">Entre cr\u00edtica e complexidade<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"6652\" data-end=\"6768\">\u00c9 importante reconhecer que o sistema internacional atual \u00e9 mais complexo do que o modelo cl\u00e1ssico centro-periferia.<\/p>\r\n<p data-start=\"6770\" data-end=\"6928\">Pot\u00eancias emergentes, como China e \u00cdndia, tamb\u00e9m exercem influ\u00eancia significativa, o que indica uma reconfigura\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o elimina\u00e7\u00e3o \u2014 das hierarquias globais.<\/p>\r\n<p data-start=\"6930\" data-end=\"6968\">Ainda assim, as assimetrias persistem.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1ru1rhs\" data-start=\"6975\" data-end=\"7026\"><span role=\"text\"><strong data-start=\"6978\" data-end=\"7026\">Conclus\u00e3o: imperialismo sem col\u00f4nias formais<\/strong><\/span><\/h2>\r\n<p data-start=\"7028\" data-end=\"7150\">O neoimperialismo no s\u00e9culo XXI n\u00e3o se apresenta como ocupa\u00e7\u00e3o direta, mas como um sistema de influ\u00eancia multidimensional.<\/p>\r\n<p data-start=\"7152\" data-end=\"7181\">Ele se manifesta por meio de:<\/p>\r\n<ul data-start=\"7183\" data-end=\"7300\">\r\n<li data-section-id=\"1v4di8g\" data-start=\"7183\" data-end=\"7216\">controle de recursos naturais<\/li>\r\n<li data-section-id=\"z2702r\" data-start=\"7217\" data-end=\"7253\">interven\u00e7\u00f5es militares seletivas<\/li>\r\n<li data-section-id=\"1048zh2\" data-start=\"7254\" data-end=\"7276\">san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas<\/li>\r\n<li data-section-id=\"1san96t\" data-start=\"7277\" data-end=\"7300\">dom\u00ednio tecnol\u00f3gico<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<p data-start=\"7302\" data-end=\"7444\">Os exemplos recentes \u2014 Venezuela, Ir\u00e3, Palestina, Groenl\u00e2ndia e \u00c1frica \u2014 mostram que o poder global continua sendo exercido de forma desigual.<\/p>\r\n<p data-start=\"7446\" data-end=\"7505\">A diferen\u00e7a \u00e9 que, hoje, a domina\u00e7\u00e3o raramente \u00e9 declarada.<\/p>\r\n<p data-start=\"7507\" data-end=\"7665\">Ela opera por meio de estruturas, interesses e decis\u00f5es que moldam o sistema internacional \u2014 muitas vezes sem a necessidade de bandeiras ou ocupa\u00e7\u00f5es formais.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre mercados, guerra e recursos naturais, o poder global se reinventa \u2014 mas n\u00e3o desaparece O imperialismo n\u00e3o acabou \u2014 ele se transformou. 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