{"id":1897,"date":"2026-08-14T19:45:47","date_gmt":"2026-08-14T22:45:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/?p=1897"},"modified":"2026-08-14T19:53:23","modified_gmt":"2026-08-14T22:53:23","slug":"guerra-fria-da-fe-como-religiao-entrou-na-disputa-de-poder-dos-estados-unidos-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/desenvolvimento-global\/guerra-fria-da-fe-como-religiao-entrou-na-disputa-de-poder-dos-estados-unidos-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Guerra Fria da f\u00e9: como religi\u00e3o entrou na disputa de poder dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<h1>Guerra Fria da f\u00e9: como religi\u00e3o entrou na disputa de poder dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina<\/h1>\n<p><em>Durante a Guerra Fria, a disputa entre Estados Unidos e movimentos de esquerda na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o aconteceu apenas nos quart\u00e9is, partidos, sindicatos ou governos. Ela atravessou tamb\u00e9m igrejas, miss\u00f5es religiosas e comunidades crist\u00e3s. Documentos desclassificados da CIA mostram que Washington avaliava a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o segundo seus efeitos sobre os interesses norte-americanos. Investiga\u00e7\u00f5es da \u00e9poca denunciaram rela\u00e7\u00f5es entre organiza\u00e7\u00f5es religiosas, governos e estruturas de intelig\u00eancia. No Brasil, bispos cat\u00f3licos chegaram a acusar a CIA de infiltrar grupos religiosos n\u00e3o cat\u00f3licos. As evid\u00eancias n\u00e3o sustentam uma explica\u00e7\u00e3o simples segundo a qual Washington teria \u201ccriado\u201d o evangelicalismo latino-americano. Sustentam, por\u00e9m, uma conclus\u00e3o importante: <strong>religi\u00e3o foi parte da disputa pol\u00edtica e geopol\u00edtica da Guerra Fria nas Am\u00e9ricas.<\/strong><\/em><\/p>\n<h2>Quando a f\u00e9 virou assunto de intelig\u00eancia<\/h2>\n<p>Em abril de 1986, a Diretoria de Intelig\u00eancia da CIA produziu um relat\u00f3rio secreto de 32 p\u00e1ginas intitulado <em><strong>Liberation Theology: Religion, Reform, and Revolution<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>O documento n\u00e3o surgiu de uma curiosidade acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3pria \u201cScope Note\u201d, a CIA informa que sua Diretoria de Intelig\u00eancia havia patrocinado, no ano anterior, uma confer\u00eancia sobre <strong>Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e comunismo<\/strong> para examinar sua rela\u00e7\u00e3o com a instabilidade pol\u00edtica no chamado &#8220;Terceiro Mundo&#8221; e avaliar suas <strong>implica\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos<\/strong>.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia descrevia a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o como um movimento que promovia reformas socioecon\u00f4micas mediante organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de base, aproximando duas for\u00e7as que Washington considerava particularmente poderosas: <strong>cristianismo e marxismo<\/strong>. O relat\u00f3rio observava ainda seu car\u00e1ter abertamente cr\u00edtico aos Estados Unidos e ao capitalismo.<\/p>\n<p>Mais adiante, o documento \u00e9 expl\u00edcito ao afirmar que a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, embora pudesse contribuir para processos de democratiza\u00e7\u00e3o contra regimes autorit\u00e1rios, tamb\u00e9m havia representado uma <strong>grande amea\u00e7a aos interesses norte-americanos<\/strong>, especialmente quando religiosos colaboravam com movimentos marxistas ou revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria intelig\u00eancia norte-americana estava classificando uma corrente do cristianismo latino-americano de acordo com sua rela\u00e7\u00e3o com <strong>interesses estrat\u00e9gicos dos Estados Unidos<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Documento prim\u00e1rio:<\/strong><br \/>\nCIA, Directorate of Intelligence \u2014 <em>Liberation Theology: Religion, Reform, and Revolution<\/em>, abril de 1986.<\/p>\n<h2>Por que a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o preocupava Washington?<\/h2>\n<p>A Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o ganhou for\u00e7a na Am\u00e9rica Latina a partir das d\u00e9cadas de 1960 e 1970 em um contexto marcado por pobreza extrema, concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, desigualdade e ditaduras militares.<\/p>\n<p>Ela deslocava parte do cristianismo latino-americano para quest\u00f5es concretas: fome, explora\u00e7\u00e3o, direitos humanos, organiza\u00e7\u00e3o popular e estruturas econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o era apenas teol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses como <strong>Brasil, Nicar\u00e1gua, El Salvador, Guatemala e Chile,<\/strong> sacerdotes, religiosos e leigos passaram a participar de movimentos comunit\u00e1rios, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es camponesas e campanhas de direitos humanos. A historiografia sobre o per\u00edodo reconhece que a Guerra Fria acrescentou a esses conflitos sociais locais uma disputa ideol\u00f3gica internacional entre revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da CIA oferece uma demonstra\u00e7\u00e3o particularmente clara de como Washington enxergava o fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Ao analisar o Brasil, a ag\u00eancia estimava entre <strong>70 mil e 100 mil Comunidades Eclesiais de Base<\/strong> e dizia que a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o havia estimulado organiza\u00e7\u00f5es de base que ampliavam a participa\u00e7\u00e3o popular nas reformas pol\u00edticas e sociais.<\/p>\n<p>O mesmo trecho registrava a aproxima\u00e7\u00e3o de setores cat\u00f3licos com sindicatos e com o ent\u00e3o emergente <strong>Partido dos Trabalhadores<\/strong>, especialmente em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Isso ajuda a explicar a aten\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia norte-americana. N\u00e3o se tratava simplesmente de saber no que os cat\u00f3licos acreditavam. Tratava-se de compreender <strong>quem conseguia organizar os pobres, mobilizar trabalhadores e transformar autoridade religiosa em participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong>.<\/p>\n<h2>O Brasil aparece diretamente nos documentos<\/h2>\n<p>Outro documento conservado no arquivo da CIA \u00e9 uma reportagem de 16 de fevereiro de 1985 com o t\u00edtulo <em><strong>Bishops&#8217; Report Names CIA \u2014 Says U.S. Has &#8216;Infiltrated&#8217; Non-Catholic Groups in Brazil<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Aqui a distin\u00e7\u00e3o de autoria \u00e9 importante: <strong>o texto n\u00e3o foi escrito pela CIA<\/strong>. \u00c9 uma mat\u00e9ria da Associated Press, publicada pelo <em>Washington Post<\/em>, cuja c\u00f3pia acabou preservada nos arquivos da ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas seu conte\u00fado \u00e9 historicamente significativo.<\/p>\n<p>A reportagem informa que um estudo elaborado no \u00e2mbito da Igreja Cat\u00f3lica brasileira e enviado ao Vaticano acusava a CIA de ter <strong>infiltrado grupos religiosos n\u00e3o cat\u00f3licos<\/strong> e afirmava que organiza\u00e7\u00f5es norte-americanas enviavam grandes quantias de dinheiro para grupos religiosos independentes no Brasil.<\/p>\n<p>Segundo a mat\u00e9ria, o documento tamb\u00e9m afirmava que CIA e miss\u00f5es norte-americanas teriam ajudado determinados grupos a entrar no Brasil, inclusive facilitando vistos.<\/p>\n<p>A porta-voz da CIA citada na reportagem respondeu que a ag\u00eancia n\u00e3o comentava acusa\u00e7\u00f5es relativas \u00e0s suas atividades. O pr\u00f3prio levantamento dos bispos, entretanto, n\u00e3o explicava como teria sido estabelecida a infiltra\u00e7\u00e3o nem identificava claramente quais grupos teriam recebido apoio financeiro.<\/p>\n<p>Esse detalhe muda o peso da evid\u00eancia.<\/p>\n<p>O documento prova que <strong>bispos brasileiros formularam a acusa\u00e7\u00e3o e que ela foi considerada suficientemente relevante para circular na imprensa internacional e chegar aos arquivos da CIA<\/strong>.<\/p>\n<p>N\u00e3o prova, isoladamente, que todas as acusa\u00e7\u00f5es eram verdadeiras.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m seria errado tratar essas suspeitas como se tivessem surgido d\u00e9cadas depois na internet. Elas existiam <strong>durante o pr\u00f3prio per\u00edodo hist\u00f3rico investigado<\/strong>.<\/p>\n<h2>Mission\u00e1rios dos Estados Unidos j\u00e1 transformavam o campo religioso brasileiro<\/h2>\n<p>Independentemente de qualquer opera\u00e7\u00e3o clandestina, a influ\u00eancia norte-americana sobre o protestantismo brasileiro est\u00e1 amplamente documentada pela historiografia.<\/p>\n<p>Em sua tese de doutorado na Ohio State University, o historiador Markus Schoof analisou a expans\u00e3o do evangelicalismo norte-americano no Brasil entre 1911 e 1969.<\/p>\n<p>Sua conclus\u00e3o \u00e9 clara: mission\u00e1rios protestantes dos Estados Unidos foram <strong>agentes relevantes de transforma\u00e7\u00e3o cultural<\/strong> e transmitiram a comunidades brasileiras elementos de suas pr\u00f3prias perspectivas anticomunistas, paternalistas e conservadoras. Ao mesmo tempo, Schoof enfatiza que os brasileiros n\u00e3o foram receptores passivos dessas ideias: apropriaram-se delas, transformaram institui\u00e7\u00f5es e criaram suas pr\u00f3prias formas de evangelicalismo.<\/p>\n<p>Essa nuance \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>Influ\u00eancia norte-americana n\u00e3o significa controle absoluto.<\/p>\n<p>Uma religi\u00e3o importada ou difundida por mission\u00e1rios pode posteriormente adquirir autonomia, produzir lideran\u00e7as locais e desenvolver objetivos completamente pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o apaga sua hist\u00f3ria transnacional.<\/p>\n<h2>Protestantismo e anticomunismo se encontraram antes da CIA entrar na discuss\u00e3o<\/h2>\n<p>O v\u00ednculo entre parte do evangelicalismo norte-americano e o anticomunismo n\u00e3o nasceu na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>Pesquisa publicada pelo <em>Journal of American Studies<\/em>, da Cambridge University Press, mostra que organiza\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias protestantes norte-americanas j\u00e1 politizavam deliberadamente sua mensagem anticomunista desde pelo menos os anos 1930.<\/p>\n<p>Na Guerra Fria, essa rela\u00e7\u00e3o se intensificou.<\/p>\n<p>A pesquisa demonstra que mission\u00e1rios, organiza\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas e figuras como Billy Graham desenvolveram redes que se cruzavam com diplomatas, autoridades pol\u00edticas e formuladores de pol\u00edtica externa dos Estados Unidos. Em determinados momentos, os pr\u00f3prios representantes dessas organiza\u00e7\u00f5es recorriam ao Departamento de Estado para defender seus interesses na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa ser reduzida a uma cadeia de comando governamental para possuir relev\u00e2ncia geopol\u00edtica.<\/p>\n<p>Estados, igrejas, empresas, funda\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias e movimentos pol\u00edticos podem perseguir objetivos semelhantes sem funcionar como uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 precisamente o tipo de rede transnacional que torna a hist\u00f3ria da religi\u00e3o durante a Guerra Fria mais complexa.<\/p>\n<h2>Guatemala: quando religi\u00e3o, anticomunismo e repress\u00e3o convergiram<\/h2>\n<p>A Guatemala oferece um dos exemplos mais extremos.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1982, o general <strong>Efra\u00edn R\u00edos Montt<\/strong> chegou ao poder por meio de um golpe militar.<\/p>\n<p>R\u00edos Montt era membro de uma igreja evang\u00e9lica ligada \u00e0 Gospel Outreach, organiza\u00e7\u00e3o baseada na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Uma edi\u00e7\u00e3o de 1983 do <em><strong>Covert Action Information Bulletin<\/strong><\/em> dedicou extensa investiga\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre grupos evang\u00e9licos norte-americanos e o regime guatemalteco.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o descrevia encontros e campanhas de apoio envolvendo l\u00edderes religiosos dos Estados Unidos e organiza\u00e7\u00f5es que arrecadavam recursos para programas conduzidos na Guatemala durante a campanha de contrainsurg\u00eancia.<\/p>\n<p>O boletim era uma publica\u00e7\u00e3o independente e explicitamente cr\u00edtica \u00e0 CIA. Portanto, suas acusa\u00e7\u00f5es precisam ser tratadas como <strong>investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e pol\u00edtica<\/strong>, n\u00e3o como admiss\u00e3o da ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas pesquisas acad\u00eamicas posteriores confirmam aspectos centrais daquele contexto.<\/p>\n<p>A <em>Oxford Research Encyclopedia of Latin American History<\/em> registra que grupos pentecostais norte-americanos ganharam influ\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es entre Estados Unidos e Am\u00e9rica Central durante os anos 1980 e que importantes l\u00edderes evang\u00e9licos norte-americanos apoiaram R\u00edos Montt devido ao seu forte anticomunismo. Ronald Reagan tamb\u00e9m defendeu publicamente o governante guatemalteco.<\/p>\n<p>Essa converg\u00eancia ocorreu enquanto for\u00e7as de seguran\u00e7a guatemaltecas eram acusadas de graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n<p>O ponto relevante n\u00e3o \u00e9 afirmar que \u201cos evang\u00e9licos produziram a ditadura\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 reconhecer que <strong>setores religiosos norte-americanos forneceram legitimidade pol\u00edtica, redes internacionais, recursos e discurso moral a um regime militar anticomunista<\/strong>.<\/p>\n<h2>Ajuda humanit\u00e1ria ou parte da contrainsurg\u00eancia?<\/h2>\n<p>O <em>Covert Action Information Bulletin<\/em> apresentou uma acusa\u00e7\u00e3o ainda mais grave.<\/p>\n<p>Segundo sua investiga\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00f5es religiosas norte-americanas participavam de programas de assist\u00eancia nas regi\u00f5es de combate guatemaltecas enquanto mantinham rela\u00e7\u00f5es estreitas com estruturas militares respons\u00e1veis pela pol\u00edtica de contrainsurg\u00eancia.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o menciona organiza\u00e7\u00f5es como International Love Lift, Youth With a Mission e Gospel Outreach e descreve miss\u00f5es que distribu\u00edam alimentos, medicamentos e outros recursos em regi\u00f5es onde as for\u00e7as armadas estavam tentando reorganizar popula\u00e7\u00f5es rurais.<\/p>\n<p>O boletim argumentava que a assist\u00eancia humanit\u00e1ria podia, naquele contexto, integrar uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica de pacifica\u00e7\u00e3o e controle territorial.<\/p>\n<p>Essas acusa\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser automaticamente generalizadas para todas as organiza\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias. Mas mostram como, em guerras internas, a fronteira entre <strong>assist\u00eancia religiosa, interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, evangeliza\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica de Estado<\/strong> pode tornar-se extremamente dif\u00edcil de separar.<\/p>\n<h2>Nicar\u00e1gua: a religi\u00e3o estava dos dois lados<\/h2>\n<p>A Nicar\u00e1gua demonstra por que qualquer narrativa simples sobre \u201creligi\u00e3o versus comunismo\u201d tamb\u00e9m \u00e9 insuficiente.<\/p>\n<p>Setores cat\u00f3licos participaram diretamente da Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de 1986 da CIA descreve a alian\u00e7a formada entre crist\u00e3os ligados \u00e0 chamada Igreja Popular e o movimento sandinista. A ag\u00eancia acompanhava padres e Comunidades Eclesiais de Base que haviam participado de atividades revolucion\u00e1rias ou continuavam apoiando o governo depois de 1979.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, outros l\u00edderes cat\u00f3licos se tornaram opositores do sandinismo.<\/p>\n<p>Ou seja, a disputa pol\u00edtica atravessava a pr\u00f3pria Igreja.<\/p>\n<p>Para Washington, entretanto, a participa\u00e7\u00e3o de religiosos em movimentos revolucion\u00e1rios era especialmente preocupante porque lhes conferia algo que partidos marxistas muitas vezes n\u00e3o possu\u00edam:<\/p>\n<p><strong>legitimidade moral e acesso a comunidades profundamente religiosas.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 essa capacidade de transformar o cristianismo em linguagem de mobiliza\u00e7\u00e3o popular que aparece repetidamente no relat\u00f3rio da CIA.<\/p>\n<h2>A pr\u00f3pria CIA reconheceu rela\u00e7\u00f5es com pessoas ligadas a igrejas<\/h2>\n<p>Existe outro documento oficial que ajuda a contextualizar as den\u00fancias sobre religi\u00e3o e intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1976, depois das investiga\u00e7\u00f5es do Congresso norte-americano sobre abusos dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia, o diretor da CIA publicou uma nova pol\u00edtica sobre rela\u00e7\u00f5es com jornalistas e religiosos.<\/p>\n<p>O texto reconhecia que a ag\u00eancia havia feito <strong>\u201cuso limitado\u201d de pessoas ligadas a organiza\u00e7\u00f5es religiosas e mission\u00e1rias<\/strong>, embora negasse impropriedade. A nova pol\u00edtica afirmava que n\u00e3o haveria rela\u00e7\u00e3o secreta remunerada ou contratual com cl\u00e9rigos ou mission\u00e1rios norte-americanos, embora a CIA continuasse aceitando informa\u00e7\u00f5es fornecidas voluntariamente por pessoas desses grupos.<\/p>\n<p>Esse documento n\u00e3o confirma todas as acusa\u00e7\u00f5es feitas posteriormente sobre miss\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Mas estabelece um ponto relevante: <strong>a rela\u00e7\u00e3o entre intelig\u00eancia e pessoas ligadas a organiza\u00e7\u00f5es religiosas n\u00e3o era uma fantasia inventada por cr\u00edticos latino-americanos<\/strong>.<\/p>\n<p>Era suficientemente real e politicamente controversa para gerar uma pol\u00edtica formal da pr\u00f3pria ag\u00eancia ap\u00f3s as investiga\u00e7\u00f5es do chamado Church Committee, criado pelo Senado para investigar abusos de poder da CIA, FBI e outras estruturas de intelig\u00eancia.<\/p>\n<h2>O Summer Institute of Linguistics e a controv\u00e9rsia mission\u00e1ria<\/h2>\n<p>O <em>Covert Action Information Bulletin<\/em> dedica ainda um cap\u00edtulo ao <strong>Summer Institute of Linguistics\/Wycliffe Bible Translators<\/strong>, organiza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria que atuava entre popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e traduzia a B\u00edblia para l\u00ednguas locais.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o relata acusa\u00e7\u00f5es, especialmente na Col\u00f4mbia e em outras \u00e1reas da Am\u00e9rica Latina, de que o trabalho lingu\u00edstico tamb\u00e9m criava rela\u00e7\u00f5es privilegiadas com comunidades ind\u00edgenas e governos nacionais.<\/p>\n<p>Novamente, o documento \u00e9 uma fonte cr\u00edtica, n\u00e3o uma decis\u00e3o judicial nem uma admiss\u00e3o da CIA.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 significativo que miss\u00f5es religiosas ocupassem posi\u00e7\u00e3o t\u00e3o sens\u00edvel em pa\u00edses onde territ\u00f3rios ind\u00edgenas, recursos naturais, guerrilhas e pol\u00edticas de seguran\u00e7a nacional frequentemente se sobrepunham.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente nesse espa\u00e7o que miss\u00e3o religiosa e geopol\u00edtica podiam convergir.<\/p>\n<h2>Ent\u00e3o os Estados Unidos \u201cevangelizaram\u201d a Am\u00e9rica Latina?<\/h2>\n<p>A evid\u00eancia dispon\u00edvel permite responder de maneira mais precisa.<\/p>\n<p><strong>Os Estados Unidos tiveram enorme influ\u00eancia sobre a expans\u00e3o do protestantismo na Am\u00e9rica Latina.<\/strong><\/p>\n<p>Isso est\u00e1 bem documentado.<\/p>\n<p>Mission\u00e1rios, recursos financeiros, institui\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, literatura religiosa, r\u00e1dio, televis\u00e3o, universidades e redes de evangeliza\u00e7\u00e3o atravessaram o continente durante todo o s\u00e9culo XX. Estudos recentes mostram que o crescimento mission\u00e1rio ocorreu paralelamente ao aumento do poder pol\u00edtico, econ\u00f4mico e diplom\u00e1tico norte-americano na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Parte importante dessas redes era explicitamente anticomunista.<\/strong><\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m est\u00e1 documentado.<\/p>\n<p><strong>A CIA acompanhava as transforma\u00e7\u00f5es religiosas e avaliava determinadas correntes crist\u00e3s segundo os interesses dos Estados Unidos.<\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio secreto de 1986 demonstra isso diretamente.<\/p>\n<p><strong>Existiram rela\u00e7\u00f5es entre servi\u00e7os de intelig\u00eancia e indiv\u00edduos vinculados a institui\u00e7\u00f5es religiosas.<\/strong><\/p>\n<p>A pr\u00f3pria pol\u00edtica da CIA de 1976 confirma que tais rela\u00e7\u00f5es haviam se tornado objeto de controv\u00e9rsia institucional, ainda que a ag\u00eancia negasse rela\u00e7\u00f5es secretas remuneradas com cl\u00e9rigos e mission\u00e1rios americanos.<\/p>\n<p>O que os tr\u00eas documentos analisados aqui <strong>n\u00e3o demonstram<\/strong>, por\u00e9m, \u00e9 a exist\u00eancia de uma ordem central da CIA estabelecendo algo como \u201csubstituir o catolicismo da Am\u00e9rica Latina pelo evangelicalismo\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio inventar essa ordem para reconhecer o problema hist\u00f3rico.<\/p>\n<h2>O Brasil n\u00e3o foi um receptor passivo<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m seria um erro reduzir o evangelicalismo brasileiro a uma importa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>As igrejas que chegaram ou cresceram sob influ\u00eancia estrangeira foram progressivamente apropriadas por brasileiros.<\/p>\n<p>Novas denomina\u00e7\u00f5es surgiram.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as locais constru\u00edram institui\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Redes brasileiras desenvolveram televis\u00e3o, r\u00e1dio, editoras, universidades, partidos e miss\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Hoje o Brasil n\u00e3o \u00e9 simplesmente receptor de miss\u00f5es: \u00e9 tamb\u00e9m um grande exportador de mission\u00e1rios.<\/p>\n<p>A pesquisa de Schoof \u00e9 particularmente importante justamente por mostrar os dois movimentos simultaneamente: <strong>influ\u00eancia cultural norte-americana e ag\u00eancia brasileira<\/strong>.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas depois, Claudia Zilla mostra como igrejas pentecostais e neopentecostais brasileiras passaram a ocupar espa\u00e7os sociais deixados pelo Estado e pelo catolicismo e transformaram sua for\u00e7a social em representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Isso significa que a hist\u00f3ria iniciada em redes mission\u00e1rias estrangeiras n\u00e3o termina nelas.<\/p>\n<h2>Uma disputa pelo significado do cristianismo<\/h2>\n<p>Talvez a conclus\u00e3o mais importante dos documentos seja outra.<\/p>\n<p>A Guerra Fria latino-americana tamb\u00e9m foi uma disputa <strong>dentro do cristianismo<\/strong>.<\/p>\n<p>De um lado estavam setores que associavam a f\u00e9 \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o das estruturas econ\u00f4micas, organiza\u00e7\u00e3o popular e justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>De outro, correntes que associavam cristianismo, anticomunismo, propriedade privada, iniciativa individual e defesa da ordem.<\/p>\n<p>Nenhum desses campos foi completamente homog\u00eaneo.<\/p>\n<p>Mas Washington percebeu a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando um relat\u00f3rio da CIA identifica uma corrente religiosa como amea\u00e7a potencial aos interesses norte-americanos porque ela responsabilizava os Estados Unidos e o capitalismo pela pobreza do chamado Terceiro Mundo, ele revela muito sobre a l\u00f3gica da \u00e9poca.<\/p>\n<p>A disputa n\u00e3o era apenas entre f\u00e9 e ate\u00edsmo.<\/p>\n<p>Era tamb\u00e9m uma disputa sobre <strong>qual cristianismo teria maior capacidade de organizar a sociedade latino-americana<\/strong>.<\/p>\n<h2>O que os arquivos permitem afirmar<\/h2>\n<p>Os documentos analisados n\u00e3o oferecem uma explica\u00e7\u00e3o total para a transforma\u00e7\u00e3o religiosa da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Mas tornam dif\u00edcil sustentar que religi\u00e3o e pol\u00edtica externa norte-americana eram universos separados.<\/p>\n<p>A evid\u00eancia dispon\u00edvel mostra uma combina\u00e7\u00e3o de:<\/p>\n<ul>\n<li>expans\u00e3o de miss\u00f5es protestantes norte-americanas;<\/li>\n<li>circula\u00e7\u00e3o de dinheiro e institui\u00e7\u00f5es religiosas transnacionais;<\/li>\n<li>anticomunismo presente em importantes organiza\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas;<\/li>\n<li>rela\u00e7\u00f5es entre lideran\u00e7as religiosas e autoridades pol\u00edticas dos Estados Unidos;<\/li>\n<li>acompanhamento sistem\u00e1tico da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o pela intelig\u00eancia norte-americana;<\/li>\n<li>apoio de setores religiosos dos EUA a governos anticomunistas na Am\u00e9rica Central;<\/li>\n<li>den\u00fancias contempor\u00e2neas de infiltra\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de organiza\u00e7\u00f5es religiosas;<\/li>\n<li>e reconhecimento, pela pr\u00f3pria CIA, de rela\u00e7\u00f5es com indiv\u00edduos ligados ao mundo religioso.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Isso n\u00e3o transforma cada mission\u00e1rio em agente secreto.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o transforma milh\u00f5es de evang\u00e9licos latino-americanos em produtos de uma estrat\u00e9gia estrangeira.<\/p>\n<p>Mas impede a conclus\u00e3o oposta: a de que a extraordin\u00e1ria transforma\u00e7\u00e3o religiosa do continente aconteceu <strong>fora da hist\u00f3ria do poder norte-americano na Am\u00e9rica Latina<\/strong>.<\/p>\n<p>Ela aconteceu dentro dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>E, em determinados momentos, f\u00e9, pol\u00edtica externa, anticomunismo e intelig\u00eancia estiveram muito mais pr\u00f3ximos do que a mem\u00f3ria oficial da Guerra Fria costuma sugerir.<\/p>\n<h2 class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-section-id=\"62m4fv\" data-start=\"216\" data-end=\"241\">Refer\u00eancias principais<\/h2>\n<p data-start=\"243\" data-end=\"577\"><strong data-start=\"243\" data-end=\"281\">CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY (CIA).<\/strong> <em data-start=\"282\" data-end=\"337\">Liberation Theology: Religion, Reform, and Revolution<\/em>. Directorate of Intelligence, abr. 1986. Documento originalmente classificado como secreto, posteriormente desclassificado. Dispon\u00edvel em:<br data-start=\"476\" data-end=\"479\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP97R00694R000600050001-9.pdf\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"479\" data-end=\"550\">https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP97R00694R000600050001-9.pdf<\/a><br data-start=\"550\" data-end=\"553\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"579\" data-end=\"891\"><strong data-start=\"579\" data-end=\"600\">ASSOCIATED PRESS.<\/strong> <em data-start=\"601\" data-end=\"687\">Bishops\u2019 Report Names CIA: Says U.S. Has \u201cInfiltrated\u201d Non-Catholic Groups in Brazil<\/em>. <em data-start=\"689\" data-end=\"710\">The Washington Post<\/em>, Washington, 16 fev. 1985. C\u00f3pia preservada no CIA Reading Room. Dispon\u00edvel em:<br data-start=\"790\" data-end=\"793\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP91-00587R000200880109-6.pdf?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"793\" data-end=\"864\">https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP91-00587R000200880109-6.pdf<\/a><br data-start=\"864\" data-end=\"867\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"893\" data-end=\"1217\"><strong data-start=\"893\" data-end=\"932\">COVERT ACTION INFORMATION BULLETIN.<\/strong> <em data-start=\"933\" data-end=\"964\">Special: The CIA and Religion<\/em>. Washington, n. 18, Winter 1983. Publica\u00e7\u00e3o independente cr\u00edtica \u00e0 CIA, posteriormente preservada em arquivo desclassificado da ag\u00eancia. Dispon\u00edvel em:<br data-start=\"1116\" data-end=\"1119\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP90-00845R000100180004-4.pdf?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"1119\" data-end=\"1190\">https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP90-00845R000100180004-4.pdf<\/a><br data-start=\"1190\" data-end=\"1193\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"1219\" data-end=\"1529\"><strong data-start=\"1219\" data-end=\"1238\">SCHOOF, Markus.<\/strong> <em data-start=\"1239\" data-end=\"1313\">Conform Rebels: The Rise of American Evangelicalism in Brazil, 1911\u20131969<\/em>. 2023. Tese (Doutorado) \u2014 The Ohio State University, Columbus, 2023. Dispon\u00edvel em:<br data-start=\"1397\" data-end=\"1400\"><a class=\"decorated-link cursor-pointer\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"1400\" data-end=\"1502\">https:\/\/etd.ohiolink.edu\/acprod\/odb_etd\/r\/etd\/search\/10?clear=10&amp;p10_accession_num=osu1692095945435315<\/a><br data-start=\"1502\" data-end=\"1505\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"1531\" data-end=\"2008\"><strong data-start=\"1531\" data-end=\"1556\">KIRKPATRICK, David C.<\/strong> The Latin American Bullring: US Evangelicals and the Reception of Anti-Protestant Violence from Cold War Colombia. <em data-start=\"1672\" data-end=\"1701\">Journal of American Studies<\/em>, Cambridge: Cambridge University Press, 2023. Dispon\u00edvel em:<br data-start=\"1762\" data-end=\"1765\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/journal-of-american-studies\/article\/latin-american-bullring-us-evangelicals-and-the-reception-of-antiprotestant-violence-from-cold-war-colombia\/482D862E60D5C68EC1254705E1BFAE63?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"1765\" data-end=\"1981\">https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/journal-of-american-studies\/article\/latin-american-bullring-us-evangelicals-and-the-reception-of-antiprotestant-violence-from-cold-war-colombia\/482D862E60D5C68EC1254705E1BFAE63<\/a><br data-start=\"1981\" data-end=\"1984\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"2010\" data-end=\"2283\"><strong data-start=\"2010\" data-end=\"2072\">CATHOLICS, Evangelicals, and US Policy in Central America.<\/strong> In: <em data-start=\"2077\" data-end=\"2133\">Oxford Research Encyclopedia of Latin American History<\/em>. Oxford: Oxford University Press. Dispon\u00edvel em:<br data-start=\"2182\" data-end=\"2185\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/edited-volume\/61800\/chapter-abstract\/546346977?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"2185\" data-end=\"2256\">https:\/\/academic.oup.com\/edited-volume\/61800\/chapter-abstract\/546346977<\/a><br data-start=\"2256\" data-end=\"2259\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"2285\" data-end=\"2595\"><strong data-start=\"2285\" data-end=\"2304\">ZILLA, Claudia.<\/strong> <em data-start=\"2305\" data-end=\"2394\">Evangelicals and Politics in Brazil: The Relevance of Religious Change in Latin America<\/em>. Berlin: Stiftung Wissenschaft und Politik, 2020. Dispon\u00edvel em:<br data-start=\"2459\" data-end=\"2462\"><a class=\"decorated-link cursor-pointer\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"2462\" data-end=\"2568\">https:\/\/www.swp-berlin.org\/publications\/products\/research_papers\/2020RP01_Evangelicals_Politics_Brazil.pdf<\/a><br data-start=\"2568\" data-end=\"2571\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"2597\" data-end=\"2909\"><strong data-start=\"2597\" data-end=\"2622\">UNITED STATES SENATE.<\/strong> <em data-start=\"2623\" data-end=\"2739\">Church Committee: Senate Select Committee to Study Governmental Operations with Respect to Intelligence Activities<\/em>. Washington, D.C.: U.S. Senate, 1975\u20131976. Dispon\u00edvel em:<br data-start=\"2797\" data-end=\"2800\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.senate.gov\/about\/powers-procedures\/investigations\/church-committee.htm\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"2800\" data-end=\"2882\">https:\/\/www.senate.gov\/about\/powers-procedures\/investigations\/church-committee.htm<\/a><br data-start=\"2882\" data-end=\"2885\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"2911\" data-end=\"3233\"><strong data-start=\"2911\" data-end=\"2949\">CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY (CIA).<\/strong> <em data-start=\"2950\" data-end=\"2975\">DCI Statement of Policy<\/em>. 11 fev. 1976. Documento referente \u00e0s rela\u00e7\u00f5es da CIA com jornalistas, cl\u00e9rigos, mission\u00e1rios e pessoas vinculadas a organiza\u00e7\u00f5es religiosas. Dispon\u00edvel em:<br data-start=\"3132\" data-end=\"3135\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/document\/cia-rdp82b00421r000100020039-7?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"3135\" data-end=\"3206\">https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/document\/cia-rdp82b00421r000100020039-7<\/a><br data-start=\"3206\" data-end=\"3209\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra Fria da f\u00e9: como religi\u00e3o entrou na disputa de poder dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina Durante a Guerra Fria, a disputa entre Estados Unidos e movimentos de esquerda na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o aconteceu apenas nos quart\u00e9is, partidos, sindicatos ou governos. Ela atravessou tamb\u00e9m igrejas, miss\u00f5es religiosas e comunidades crist\u00e3s. 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