{"id":114,"date":"2026-04-07T12:09:07","date_gmt":"2026-04-07T15:09:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/?p=114"},"modified":"2026-06-11T13:36:18","modified_gmt":"2026-06-11T16:36:18","slug":"relacoes-sul-sul-alternativas-ao-modelo-dominante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/desenvolvimento-global\/relacoes-sul-sul-alternativas-ao-modelo-dominante\/","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul: alternativas ao modelo dominante no sistema internacional"},"content":{"rendered":"\r\n<div class=\"flex flex-col text-sm pb-25\">\r\n<section class=\"text-token-text-primary w-full focus:outline-none [--shadow-height:45px] has-data-writing-block:pointer-events-none has-data-writing-block:-mt-(--shadow-height) has-data-writing-block:pt-(--shadow-height) [&amp;:has([data-writing-block])&gt;*]:pointer-events-auto scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]\" dir=\"auto\" data-turn-id=\"request-WEB:d54b8b54-a7a1-493a-b164-e82e9a4ffd24-8\" data-testid=\"conversation-turn-18\" data-scroll-anchor=\"true\" data-turn=\"assistant\">\r\n<div class=\"text-base my-auto mx-auto pb-10 [--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-xs,calc(var(--spacing)*4))] @w-sm\/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-sm,calc(var(--spacing)*6))] @w-lg\/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-lg,calc(var(--spacing)*16))] px-(--thread-content-margin)\">\r\n<div class=\"[--thread-content-max-width:40rem] @w-lg\/main:[--thread-content-max-width:48rem] mx-auto max-w-(--thread-content-max-width) flex-1 group\/turn-messages focus-visible:outline-hidden relative flex w-full min-w-0 flex-col agent-turn\">\r\n<div class=\"flex max-w-full flex-col gap-4 grow\">\r\n<div class=\"min-h-8 text-message relative flex w-full flex-col items-end gap-2 text-start break-words whitespace-normal outline-none keyboard-focused:focus-ring [.text-message+&amp;]:mt-1\" dir=\"auto\" tabindex=\"0\" data-message-author-role=\"assistant\" data-message-id=\"f77eea20-32e4-41b3-a2de-c6b13177187a\" data-message-model-slug=\"gpt-5-4-thinking\" data-turn-start-message=\"true\">\r\n<div class=\"flex w-full flex-col gap-1 empty:hidden\">\r\n<div class=\"markdown prose dark:prose-invert w-full wrap-break-word light markdown-new-styling\">\r\n<h1 data-section-id=\"hr9c3i\" data-start=\"0\" data-end=\"77\">Rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul: alternativas ao modelo dominante no sistema internacional<\/h1>\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\" data-start=\"79\" data-end=\"901\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, as rela\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses do Sul Global deixaram de ser tratadas como mera ret\u00f3rica diplom\u00e1tica e passaram a ocupar um lugar mais estruturado no debate sobre poder, desenvolvimento e governan\u00e7a internacional. Mais do que uma simples diversifica\u00e7\u00e3o de parceiros comerciais, a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul se consolidou como tentativa de reequilibrar um sistema internacional historicamente moldado por assimetrias entre centro e periferia. Nesse processo, iniciativas como BRICS, Mercosul, IBAS e a atua\u00e7\u00e3o coordenada do G77 na ONU ganharam densidade pol\u00edtica porque oferecem aos pa\u00edses do Sul instrumentos para reduzir vulnerabilidades externas, ampliar margens de autonomia e disputar normas em \u00e1reas como financiamento, com\u00e9rcio, tecnologia, clima e reforma institucional.<\/p>\r\n<p data-start=\"903\" data-end=\"1882\">A cr\u00edtica que sustenta esse movimento n\u00e3o \u00e9 nova. Durante boa parte do s\u00e9culo XX, a coopera\u00e7\u00e3o internacional foi organizada em chave vertical, na qual pa\u00edses do Norte financiavam, supervisionavam e condicionavam pol\u00edticas em pa\u00edses em desenvolvimento. O problema nunca foi apenas econ\u00f4mico. Em muitos casos, a ajuda vinha acompanhada de exig\u00eancias macroecon\u00f4micas, condicionalidades institucionais e prioridades desenhadas fora dos contextos locais. A coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul emerge justamente como rea\u00e7\u00e3o a esse padr\u00e3o. Em vez de uma rela\u00e7\u00e3o doador-receptor, ela se apresenta como interc\u00e2mbio entre parceiros que compartilham problemas semelhantes, trajet\u00f3rias hist\u00f3ricas pr\u00f3ximas e interesse comum em reformar a governan\u00e7a global. A pr\u00f3pria ONU reafirmou em 2025 o documento de Buenos Aires como principal marco normativo da coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, destacando a necessidade de fortalecer sua mensura\u00e7\u00e3o, seu financiamento e sua institucionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"ur1wmi\" data-start=\"1884\" data-end=\"1929\">BRICS e a constru\u00e7\u00e3o de uma agenda pr\u00f3pria<\/h2>\r\n<p data-start=\"1931\" data-end=\"2691\">O BRICS \u00e9 hoje o exemplo mais vis\u00edvel dessa tentativa de reorganizar o espa\u00e7o pol\u00edtico do Sul Global. Em 2025, sob presid\u00eancia brasileira, o grupo passou a enfatizar coopera\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, clima, intelig\u00eancia artificial, infraestrutura e financiamento em moedas locais, ao mesmo tempo em que refor\u00e7ou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento como instrumento de moderniza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento para o Sul Global. A Declara\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro n\u00e3o se limitou a proclama\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas: ela apoiou a expans\u00e3o da capacidade do banco de mobilizar recursos, diversificar fontes de financiamento e ampliar opera\u00e7\u00f5es em moedas locais, al\u00e9m de registrar avan\u00e7os em plataformas de investimento e em mecanismos de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\r\n<p data-start=\"2693\" data-end=\"3551\">A import\u00e2ncia disso vai al\u00e9m do simbolismo. Em um sistema financeiro internacional ainda fortemente dependente do d\u00f3lar e de institui\u00e7\u00f5es criadas sob lideran\u00e7a ocidental, a capacidade de financiar projetos em moedas locais reduz custos de transa\u00e7\u00e3o, mitiga riscos cambiais e amplia o espa\u00e7o de pol\u00edtica econ\u00f4mica dos pa\u00edses membros. O debate sobre desdolariza\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes \u00e9 tratado com exagero, mas o dado central \u00e9 outro: o BRICS vem tentando construir, de forma gradual, mecanismos complementares ao arranjo financeiro tradicional. Isso se conecta a uma percep\u00e7\u00e3o mais ampla, hoje presente inclusive em documentos europeus, de que o sistema monet\u00e1rio internacional est\u00e1 sendo remodelado por fragmenta\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, d\u00favidas sobre o d\u00f3lar como ativo seguro e novas tecnologias de pagamento.<\/p>\r\n<p data-start=\"3553\" data-end=\"4070\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante notar que o BRICS vem ampliando sua agenda tem\u00e1tica. Em 2025, os l\u00edderes aprovaram uma declara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre governan\u00e7a global da intelig\u00eancia artificial, defendendo o direito dos pa\u00edses em desenvolvimento de participar da economia digital em bases menos assim\u00e9tricas. O ponto pol\u00edtico aqui \u00e9 decisivo: para o Sul Global, tecnologia n\u00e3o pode ser tratada apenas como quest\u00e3o de mercado, mas como dimens\u00e3o de soberania, industrializa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1yw3ekb\" data-start=\"4072\" data-end=\"4133\">China, Brasil e a densidade material da coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul<\/h2>\r\n<p data-start=\"4135\" data-end=\"4780\">Se o BRICS expressa uma moldura pol\u00edtica mais ampla, a rela\u00e7\u00e3o entre China e Brasil mostra como a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul ganha densidade concreta quando se projeta sobre finan\u00e7as, com\u00e9rcio, infraestrutura e ci\u00eancia. Em 2025, os bancos centrais dos dois pa\u00edses firmaram acordo de swap cambial e memorando para aprofundar a coopera\u00e7\u00e3o financeira estrat\u00e9gica, incluindo infraestrutura financeira, pagamentos e uso de moedas locais. O sentido geopol\u00edtico desse movimento \u00e9 claro: reduzir custos de depend\u00eancia externa e tornar a rela\u00e7\u00e3o bilateral menos vulner\u00e1vel a choques vindos dos centros tradicionais de poder.<\/p>\r\n<p data-start=\"4782\" data-end=\"5293\">Ao mesmo tempo, a parceria sino-brasileira avan\u00e7ou em \u00e1reas de alto conte\u00fado tecnol\u00f3gico. O desenvolvimento conjunto do sat\u00e9lite CBERS-5, anunciado em 2025, refor\u00e7a uma tradi\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o espacial que contrasta com a ideia de que a divis\u00e3o internacional do trabalho condenaria os pa\u00edses do Sul a exportar apenas commodities. Esse tipo de iniciativa \u00e9 importante porque combina transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica, capacita\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e fortalecimento da autonomia estrat\u00e9gica.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"d3m2d4\" data-start=\"5869\" data-end=\"5926\">Brasil e \u00c1frica do Sul: o eixo atl\u00e2ntico do Sul Global<\/h2>\r\n<p data-start=\"5928\" data-end=\"6622\">Outro exemplo importante \u00e9 a retomada da parceria entre Brasil e \u00c1frica do Sul, que em 2026 ganhou novo impulso com a visita de Estado de Cyril Ramaphosa a Bras\u00edlia. Os dois governos apresentaram essa rela\u00e7\u00e3o como parte de um esfor\u00e7o para aproximar Am\u00e9rica do Sul e \u00c1frica por meio de com\u00e9rcio, investimento, turismo, coopera\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, pesquisa, agroneg\u00f3cio, ci\u00eancia, defesa e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p data-start=\"5928\" data-end=\"6622\">Lula afirmou, em declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que Brasil e \u00c1frica do Sul compartilham a luta por \u201cuma ordem global mais equilibrada e representativa, baseada no direito internacional e no multilateralismo\u201d, linguagem que sintetiza bem o horizonte pol\u00edtico dessa aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p data-start=\"6624\" data-end=\"7258\">A parceria tem valor simb\u00f3lico, mas tamb\u00e9m utilidade estrat\u00e9gica. Ramaphosa defendeu que a \u00c1frica do Sul se torne porta de entrada do Brasil para os mercados africanos, especialmente no contexto da \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio Continental Africana, enquanto o Brasil funcionaria como ponte sul-africana para a Am\u00e9rica Latina. Essa ideia de \u201ccorredor Sul-Sul\u201d \u00e9 relevante porque desloca o eixo da integra\u00e7\u00e3o internacional: em vez de depender exclusivamente das conex\u00f5es com Europa ou Estados Unidos, os pa\u00edses do Sul tentam construir circuitos pr\u00f3prios de circula\u00e7\u00e3o de bens, investimentos e tecnologia.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"11gqwth\" data-start=\"7763\" data-end=\"7833\">Mercosul: integra\u00e7\u00e3o regional, cidadania e capacidade de negocia\u00e7\u00e3o<\/h2>\r\n<p data-start=\"7835\" data-end=\"8528\">O Mercosul continua sendo um pilar central da estrat\u00e9gia sul-americana de inser\u00e7\u00e3o internacional. Apesar de suas crises recorrentes, o bloco preserva relev\u00e2ncia justamente porque fornece escala regional, coordena\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria e maior poder de barganha externa. Em 2025 e 2026, o Mercosul n\u00e3o apenas seguiu negociando com parceiros extrarregionais, mas tamb\u00e9m avan\u00e7ou em acordos importantes com a Uni\u00e3o Europeia e com a EFTA, formada por Isl\u00e2ndia, Liechtenstein, Noruega e Su\u00ed\u00e7a. O acordo EFTA-Mercosul foi assinado em setembro de 2025, e a Uni\u00e3o Europeia formalizou em janeiro de 2026 a assinatura dos instrumentos do acordo com o bloco sul-americano.<\/p>\r\n<p data-start=\"8530\" data-end=\"9240\">Esses movimentos mostram que a integra\u00e7\u00e3o regional n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a diversifica\u00e7\u00e3o global; ao contr\u00e1rio, ela pode fortalec\u00ea-la. O Mercosul funciona como plataforma a partir da qual os pa\u00edses do Cone Sul negociam em melhores condi\u00e7\u00f5es com atores maiores. Ao mesmo tempo, a integra\u00e7\u00e3o regional n\u00e3o se reduz ao com\u00e9rcio. Em mar\u00e7o de 2026, o Itamaraty destacou o papel do FOCEM na redu\u00e7\u00e3o de assimetrias internas por meio de projetos de infraestrutura, integra\u00e7\u00e3o produtiva e coes\u00e3o social, al\u00e9m da import\u00e2ncia do Estatuto da Cidadania do Mercosul para facilitar circula\u00e7\u00e3o, acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos e igualdade de oportunidades entre nacionais dos pa\u00edses membros.<\/p>\r\n<p data-start=\"9242\" data-end=\"9823\">Isso importa porque uma das limita\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas das economias perif\u00e9ricas \u00e9 a fragmenta\u00e7\u00e3o. Sem mercado regional, sem infraestrutura compartilhada e sem coordena\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria, cada pa\u00eds negocia de forma mais vulner\u00e1vel. A integra\u00e7\u00e3o regional, portanto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 tema comercial; \u00e9 instrumento de soberania. Mesmo quando enfrenta diverg\u00eancias internas, o Mercosul preserva uma fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica: impedir que a Am\u00e9rica do Sul retorne integralmente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o disperso e facilmente subordinado \u00e0s prioridades de pot\u00eancias externas.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1fzisbi\" data-start=\"9825\" data-end=\"9861\">Sul Global, ONU e padr\u00f5es de voto<\/h2>\r\n<p data-start=\"9863\" data-end=\"10540\">A coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul tamb\u00e9m se expressa nas institui\u00e7\u00f5es multilaterais, especialmente na ONU. N\u00e3o se trata de afirmar que todos os pa\u00edses do Sul votam sempre do mesmo modo. H\u00e1 diverg\u00eancias importantes entre eles, inclusive em temas de seguran\u00e7a, g\u00eanero, d\u00edvida e rela\u00e7\u00f5es com grandes pot\u00eancias. Ainda assim, a literatura recente mostra que o G77 mant\u00e9m um n\u00edvel significativo de solidariedade em seu comportamento na Assembleia Geral, mesmo com o aumento da heterogeneidade econ\u00f4mica entre seus membros. Um estudo de 2025 resumiu essa conclus\u00e3o de forma clara: o grupo \u201cmant\u00e9m sua solidariedade\u201d no padr\u00e3o de vota\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral.<\/p>\r\n<p data-start=\"10542\" data-end=\"11333\">Essa converg\u00eancia aparece sobretudo em pautas como reforma da governan\u00e7a global, defesa do multilateralismo, direito ao desenvolvimento, financiamento clim\u00e1tico, cr\u00edtica a san\u00e7\u00f5es unilaterais e apoio a posi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre Palestina e soberania permanente sobre recursos naturais. O G77 e China continuam operando por meio de declara\u00e7\u00f5es conjuntas, interven\u00e7\u00f5es coletivas e coordena\u00e7\u00e3o negociadora, inclusive em 2025, quando reiteraram posi\u00e7\u00f5es comuns em desenvolvimento sustent\u00e1vel, or\u00e7amento da ONU e reforma institucional. Pesquisas recentes e an\u00e1lises parlamentares sobre padr\u00f5es de voto tamb\u00e9m apontam que, em temas como Gaza, h\u00e1 clara dist\u00e2ncia entre boa parte do Sul Global e as posi\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos e de seus aliados mais pr\u00f3ximos.<\/p>\r\n<p data-start=\"11335\" data-end=\"11795\">Esse alinhamento relativo \u00e9 importante porque ajuda a explicar por que a disputa pela governan\u00e7a global hoje n\u00e3o se resume ao confronto entre Washington e Pequim. Existe tamb\u00e9m uma press\u00e3o mais difusa, por\u00e9m crescente, de pa\u00edses do Sul por regras menos assim\u00e9tricas e por maior representa\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es internacionais. A coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul n\u00e3o substitui a diplomacia universal, mas altera sua correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1k2op34\" data-start=\"12442\" data-end=\"12498\">Conclus\u00e3o: por que essas alian\u00e7as importam mais agora<\/h2>\r\n<p data-start=\"12500\" data-end=\"13049\">A relev\u00e2ncia dessas alian\u00e7as aumenta justamente num momento de instabilidade mais ampla. A Europa atravessa crescimento fraco, maior incerteza e dificuldades pol\u00edticas para converter ambi\u00e7\u00f5es geoecon\u00f4micas em a\u00e7\u00e3o consistente. O FMI registrou rebaixamento relevante das perspectivas para a Europa em 2025, associado a tarifas, incerteza e condi\u00e7\u00f5es financeiras mais duras, enquanto o pr\u00f3prio debate europeu sobre o acordo com o Mercosul exp\u00f5e divis\u00f5es internas e obst\u00e1culos jur\u00eddicos e pol\u00edticos persistentes.<\/p>\r\n<p data-start=\"13051\" data-end=\"13829\">Ao mesmo tempo, a pol\u00edtica externa agressiva de Donald Trump refor\u00e7a uma percep\u00e7\u00e3o de decl\u00ednio relativo dos Estados Unidos n\u00e3o necessariamente em poder bruto, mas em legitimidade, previsibilidade e capacidade de lideran\u00e7a consensual. Quando Washington combina unilateralismo, press\u00e3o tarif\u00e1ria, militariza\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica e hostilidade a arranjos multilaterais, empurra parte do sistema internacional a procurar amortecedores externos. \u00c9 nesse contexto que BRICS, Mercosul, IBAS, G77 e outras formas de concerta\u00e7\u00e3o do Sul ganham import\u00e2ncia. Elas funcionam como instrumentos de diversifica\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica diante de um Ocidente menos est\u00e1vel, menos coeso e, em certos casos, menos comprometido com as pr\u00f3prias regras que ajudou a construir.<\/p>\r\n<p data-start=\"13831\" data-end=\"14414\">Por isso, as rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul n\u00e3o devem ser vistas apenas como op\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica ou gesto diplom\u00e1tico. Elas s\u00e3o, cada vez mais, uma necessidade estrutural. Em um cen\u00e1rio de fragmenta\u00e7\u00e3o global, guerra comercial, eros\u00e3o normativa e disputa tecnol\u00f3gica, a capacidade de construir alian\u00e7as horizontais entre pa\u00edses do Sul pode definir quem ter\u00e1 margem para negociar o futuro e quem continuar\u00e1 apenas reagindo a decis\u00f5es tomadas em outros centros. O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 simplesmente com\u00e9rcio entre emergentes. \u00c9 a possibilidade de transformar a autonomia em projeto pol\u00edtico duradouro.<\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/section>\r\n<\/div>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul: alternativas ao modelo dominante no sistema internacional Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, as rela\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses do Sul Global deixaram de ser tratadas como mera ret\u00f3rica diplom\u00e1tica e passaram a ocupar um lugar mais estruturado no debate sobre poder, desenvolvimento e governan\u00e7a internacional. Mais do que uma simples diversifica\u00e7\u00e3o de parceiros comerciais, a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":282,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"no","rop_publish_now_accounts":{"facebook_1005035685341291_1168996842959697":""},"rop_publish_now_history":[{"account":"facebook_1005035685341291_1168996842959697","service":"facebook","timestamp":1781195778,"status":"queued"}],"rop_publish_now_status":"queued","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[23,154,146,145,450,133,93,89,155,156,18],"class_list":["post-114","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sul-global","tag-brics","tag-cooperacao-sul-sul","tag-desenvolvimento","tag-economia","tag-efta","tag-integracao","tag-mercosul","tag-onu","tag-parcerias","tag-politica","tag-sul-global","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":674,"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114\/revisions\/674"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.tatianamendonca.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}